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Editorial edição 409

Editorial 16 de junho de 2019

A comparação da coluna “Parece que foi ontem” - onde o Jornal do Sol apresenta os principais fatos que marcaram a vida de Porto Seguro há 25 anos – com os dias atuais é interessante para observarmos como nossa cidade evoluiu significativamente em alguns aspectos e como em outros a coisa ficou bem pior. Chega a ser inacreditável, sobretudo para os mais jovens, que em pleno boom do turismo, faltava água e luz em todo o município, Porto Seguro não tinha água tratada nem rede de esgoto e que, dependendo das condições do tempo, nenhum veículo subia ou descia a única ladeira de acesso ao Arraial d´Ajuda.

A preparação para as comemorações dos 500 anos da Descobrimento do Brasil, no ano 2000, deixou um legado expressivo para a região, com a realização de obras como o saneamento básico em boa parte da cidade, construção de escolas e do hospital regional, construção da BA001, ligando Porto Seguro ao Arraial d´Ajuda e Trancoso, ampliação do aeroporto, enfim um pacote de intervenções que mudaram a cara da cidade e o modo de vida das pessoas.  Recentemente, os estudos para a construção de um novo aeroporto, são prenúncios de novos tempos, com mais desenvolvimento turístico.

Se Porto Seguro inaugurou a sua entrada para o século XXI celebrando grandes conquistas na área de infraestrutura, do ponto de vista ambiental, entretanto, a região tem poucos ou nenhum motivo para comemorar.  Nesses 20 anos, apesar dos avanços na legislação, o desmatamento continua ceifando o que ainda resta de Mata Atlântica e os crimes ambientais exterminam a fauna, flora, mananciais e todas as reservas naturais. Incêndios criminosos, invasões irregulares, tratamento inadequado do esgoto e do lixo, comércio de animais silvestres, pesca predatória, exploração de recursos minerais, enfim, é interminável o rol de desmandos que atentam diariamente contra a natureza.

Os interesses daqueles que fazem uso inadequado e tentam se apropriar dos recursos naturais a todo custo, e à revelia das leis e da lógica de sobrevivência, são infinitamente maiores que as tímidas ações desenvolvidas por abnegados defensores do meio ambiente. E já passou da hora de entender o meio ambiente como algo distante, intocado. O apelo é pela consciência das pessoas, que precisam se ver como parte integrante desse ecossistema, saindo em sua defesa. E entendendo que atitudes simples e escolhas conscientes em nossa rotina podem dar voz ao grito pela vida no planeta.

Editorial edição 408

Editorial 16 de maio de 2019

A passagem de mais um 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, convida à reflexão sobre os ecossistemas na Costa do Descobrimento. Temos motivos para comemorar? Ambientalistas, militantes e defensores da causa certamente vão dizer que não. De fato, é preocupante a situação em uma das regiões mais ricas em biodiversidade do planeta. E a natureza vem dando a sua reposta a tanta destruição, desmatamento, poluição das águas, queimadas, tratamento inadequado do lixo, exploração abusiva dos recursos naturais, pesca predatória, invasões de encostas e áreas de preservação, comercialização de animais silvestres, captura de animais em risco de extinção e tantos crimes ambientais cometidos na calada da noite e também a olhos vistos.

Ao longo dos seus quase 30 anos de existência, o Jornal do Sol vem denunciando, ouvindo autoridades e estudiosos, alertando a população sobre as consequências da relação altamente destruidora do ser humano com o meio ambiente em nossa região. Nesta edição, estamos publicando um estudo realizado pela UFSB e IFBA, que identificou altos índices de contaminação por esgoto no rio Caraíva, uma das principais fontes de beleza, atração turística e esperança de sustentabilidade do vilarejo. A presença de coliformes nas águas do manancial, ameaça a saúde das pessoas e a sobrevivência do rio, que se confunde com a própria vida do lugar.    

Esta e as inúmeras ameaças à conservação dos ecossistemas em Porto Seguro passam, em primeiro lugar pela falta de consciência das pessoas sobre a necessidade de cuidar do nosso riquíssimo patrimônio natural, garantindo a sobrevivência da fauna, flora e do próprio ser humano. Caraíva enfrenta hoje um problema que atormentou a sede de Porto Seguro até os governos resolveram investir na preparação da cidade para as malfadadas comemorações dos 500 anos do Descobrimento do Brasil. Ou seja, de uma data em que não havia nada para comemorar, ficou o legado de importantes obras de infraestrutura, como a implantação da rede de saneamento básico em grande parte do município.

Até lá, como na Caraíva de hoje, a cidade não possuía rede de esgoto e todos os dejetos eram depositados em fossas sépticas. Como também não havia abastecimento, nem água tratada, as pessoas se serviam de poços artesianos. Só que muitos proprietários de pousadas e imóveis residenciais, ao invés de investir na construção de fossas capazes de suportar a produção de esgoto - e que por vezes precisavam ser esvaziadas por uma empresa especializada – simplesmente jogavam a merda diretamente nos rios e no mar. Quando não ligavam o esgoto nas redes de águas pluviais.

Hoje esta é a situação que ameaça também a maior preciosidade de Caraíva, que encanta visitantes dos quatros cantos do Brasil e do mundo. E os conhecedores da situação alertam para o risco da contaminação, que já atingiu o rio e chega ao mar, ameaçar também os poços artesianos. Não é um preço muito alto a ser pago pela negligência de moradores e pela irresponsabilidade dos governantes?   

Editorial edição 406

Editorial 16 de março de 2019

A situação política nacional lança centelhas de apreensão acerca do futuro reservado às crianças e adolescentes do nosso país. Pesquisa realizada pela Cruz Vermelha do Brasil em 13 bairros do chamado Complexo Bahianão, associada com dados do Censo Demográfico 2010 do IBGE, conclui que a família de Porto Seguro está empobrecida e em risco social.

Nessa região, a maior necessidade apontada pelas famílias com crianças de três a seis anos de idade, é de creches, que ofereçam, além de abrigo, descanso e alimentação, serviços de cultura, lazer e educação.  Na área social, os entrevistados priorizaram o esporte e o ensino de valores familiares para os menores. Um dado chocante que aparece nos depoimentos da comunidade é a preocupação sobre o fato de haver crianças de cinco e seis anos de idade com armas nas mãos.

Com relação às crianças de sete a 12 anos de idade, os entrevistados mencionaram a necessidade de tirá-las das ruas. Para eles, a solução seria o ensino integral para esses meninos e meninas. E indicaram cursos básicos como prioridade dentro das ações sociais, e, em seguida, mais uma vez, a prática de esportes.

De acordo com a Cruz Vermelha do Brasil, a maior preocupação dos adultos quando questionados sobre as necessidades dos adolescentes de 13 a 18 anos, é em relação às oportunidades de trabalho. Ou seja, os entrevistados se mostraram convictos de que adolescente tem que aprender a trabalhar, e para eles, o melhor caminho para isso é através da disponibilização de cursos profissionalizantes para esses seres humanos em plena formação.

A pesquisa d CVB revela ainda que nessa periferia de Porto Seguro, uma cidade jovem - ao contrário do restante do Brasil, em que já se enxerga o envelhecimento da população – 80% da população que conseguiu um lugar no mercado de trabalho, recebe até dois salários mínimos.

É uma incoerência constatar que nosso país, ao mesmo tempo em que ostenta o título de 7ª economia mundial, está na 79ª posição no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), que mede o progresso dos países em saúde, educação e renda. Ou seja a renda gerada pelo Produto Interno Bruto, não chega aos setores menos privilegiados da população. E retorna  para os mas privilegiados em forma de violência e ameaça às liberdades individuais.

Editorial edição 407

Editorial 16 de abril de 2019

 

Muito discutida atualmente pelos poderes públicos e pela sociedade organizada a questão da mobilidade urbana vai ganhando cada vez mais espaço. O crescimento das cidades, a falta de planejamento dos espaços públicos e o aumento do número de veículos exacerbam os problemas urbanos, com reflexo direto no tempo gasto pelas pessoas para se deslocar nas cidades, o que acaba trazendo também graves consequências para a saúde.

Para piorar a situação, falta nos motoristas e pedestres educação para o trânsito, respeito ao próximo e uma certa dose de gentileza, que poderiam contribuir para amenizar o caos nos centros urbanos. Mas se até Porto Seguro, uma cidade de pequeno porte, não escapa a esse grave problema que aflige o mundo moderno, nas metrópoles, o ir e vir de casa para o trabalho virou um tormento, comprometendo a qualidade de vida.

Nas grandes cidades, onde o carro é o principal vilão, a média é de um automóvel para cada 4,4 habitantes. O resultado são engarrafamentos constantes; aumento do índice de acidentes, com mutilações graves ou mortes; oferta insuficiente de transporte coletivo para atender o excesso de passageiros e poluição do meio ambiente. Se sobra tempo no engarrafamento, falta tempo para buscar o filho na escola, curtir um jantar com a família e outras atividades de lazer ficam prejudicadas.

Esse stress no trânsito tem levado muita gente a buscar ou ao menos sonhar com uma vida mais tranquila em uma cidade menor, como a nossa Porto Seguro. Sim, nós temos mais qualidade de vida. Mas estamos muito aquém de um modelo urbano que ofereça acessibilidade, segurança, eficiência, dinamismo econômico, além de inclusão social e preservação do meio ambiente.

Em se tratando de pessoas com deficiência física então, as dificuldades são infinitamente maiores. Para elas, parte do conjunto de soluções para obter um espaço público mais acessível necessitaria de calçadas confortáveis e niveladas, sem buracos ou obstáculos; ruas com marcações para deficientes visuais; corrimão e outras alternativas que permitissem o deslocamento seguro e estável.

Estamos longe disso, entretanto, os novos projetos de readequação das barracas de praia da Orla Norte sinalizam para um grande avanço, trazendo esperança para essas pessoas. Caso os projetos saiam mesmo do papel, elas poderão usufruir de pequenas grandes conquistas, como circular pelo interior das barracas de praia e até tomar um refrescante banho de mar.

Editorial edição 405

Editorial 16 de fevereiro de 2019

Vem se arrastando há quase uma década a discussão sobre a legalização do transporte alternativo, ou as famosas lotações, tão conhecidas da população. Quem falou em legalização? Ninguém, ou nenhuma autoridade de qualquer esfera de poder confirmou a expectativa das centenas de motoristas que estão sobrevivendo dessa atividade hoje em Porto Seguro, a possibilidade de legalizar ou regulamentar esse tipo de transporte de passageiros, que tanta polêmica, brigas e desentendimentos vem gerando na cidade.

Como declarou uma das lideranças da categoria - que já perdeu as contas das vezes em que foi até a Câmara Municipal protestar e cobrar dos edis um posicionamento sobre o assunto – há três campanhas eleitorais que a atual prefeita e seus assessores vêm alimentando nesses profissionais a esperança de permitir oficialmente que eles possam sobreviver do leva e traz de moradores para seus afazeres e na volta para casa. Eles garantem que o foco são os moradores e não os turistas, cujo transporte seria exclusividade dos taxistas, com quem, asseguram, não querem brigas.

Na outra ponta, a população parece apoiar a causa, se beneficiando da comodidade de utilizar um meio de transporte que preenche uma grande lacuna deixada pelos coletivos urbanos. Ou seja, pelo mesmo valor, o usuário tem mais veículos à sua disposição, mais agilidade, maior flexibilidade de horários e muitas vezes até a facilidade de parar exatamente no seu destino. E sem o desconforto de ter que mofar mais tempo em pontos de ônibus, expostos ao sol e à chuva, esperar nos degraus até o motorista fazer a cobrança e depois viajar espremido e sacolejando em ônibus velhos, caindo aos pedaços e conduzidos muitas vezes por profissionais despreparados.

A maioria da população prefere utilizar as lotações, mesmo reconhecendo que o serviço prestado também não é lá nenhum primor. Ou seja, o transporte coletivo perde na preferência do usuário, mesmo que o alternativo também deixe muito a desejar. A começar pela frota, com seus veículos velhos, mal conservados, e nem sempre com sua documentação em dia. Muitos profissionais inaptos também se aproveitam da balbúrdia no setor para levantar uma grana extra, desrespeitando as mais básicas regras de trânsito, como as paradas em locais proibidos.

A nova presidente da Câmara chega dando mais fôlego para uma atividade que começou tímida, ganhou e perdeu adeptos, enfrentou brigas e desentendimentos pelas ruas, teve veículos apreendidos, arrefeceu e reaqueceu os ânimos e continua dando o que falar. Até que algo de concreto seja feito. Pelo bem da classe e da população.

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